Abstract
<jats:p>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode influenciar a saúde bucal devido a alterações comportamentais, sensoriais e motoras que dificultam a realização dos cuidados de higiene oral. Este estudo avaliou a condição de higiene bucal e a incidência de alterações periodontais em crianças com TEA atendidas na clínica odontológica da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) e no Centro de Especialidades Odontológicas de Itajaí, além de identificar fatores comportamentais e de rotina relacionados à saúde periodontal. Realizou-se uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal com 34 crianças diagnosticadas com TEA, com idades entre 5 e 12 anos. A coleta de dados envolveu exame clínico intraoral para determinação do Índice de Placa Visível (IPV) e aplicação de questionário aos responsáveis, contemplando hábitos de higiene bucal e aspectos sensoriais. Os resultados indicaram IPV médio de 19,4%, sendo que 58,8% das crianças apresentaram higiene bucal classificada como boa, 17,7% como regular e 23,5% como deficiente. Observou-se associação entre a escovação realizada com participação do cuidador e menores índices de placa bacteriana, enquanto a aversão ao toque oral e o desconforto durante a escovação estiveram relacionados a piores condições de higiene. Conclui-se que a participação ativa dos cuidadores e a adoção de estratégias individualizadas favorecem a manutenção da saúde periodontal em crianças com TEA, evidenciando a importância de abordagens interdisciplinares e humanizadas no atendimento odontológico.</jats:p>