Abstract
<jats:p>A endometriose é uma doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, frequentemente associada à dor pélvica crônica e à infertilidade. Entre suas apresentações, os endometriomas ovarianos representam uma das formas mais comuns da doença, sendo frequentemente tratados por intervenção cirúrgica. As técnicas mais empregadas incluem a cistectomia ovariana e a ablação da cápsula cística, ambas com benefícios e limitações relacionadas à preservação da função ovariana. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos da cistectomia e da ablação sobre a reserva ovariana em mulheres submetidas ao tratamento cirúrgico da endometriose ovariana. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura baseada em estudos que avaliaram parâmetros clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos da função ovariana após diferentes abordagens cirúrgicas. Os resultados demonstraram que ambas as técnicas promovem redução da reserva ovariana, embora a magnitude dessa redução varie entre os métodos empregados. A cistectomia apresentou melhores resultados em relação à redução das taxas de recorrência e controle dos sintomas, porém associou-se a maior comprometimento dos níveis do hormônio antimülleriano. A ablação mostrou potencial para preservar maior quantidade de tecido ovariano funcional, embora apresente índices mais elevados de recorrência da doença em alguns estudos. Fatores como bilateralidade dos endometriomas, tamanho das lesões, idade da paciente e experiência cirúrgica também influenciam os resultados pós-operatórios. Conclui-se que a escolha da técnica cirúrgica deve considerar não apenas o controle da doença, mas também os objetivos reprodutivos da paciente, visando o equilíbrio entre eficácia terapêutica e preservação da fertilidade.</jats:p>