Abstract
<jats:p>Este capítulo examina o percurso histórico e conceitual que conduz das tecnologias tradicionais de ensino, simbolizadas pelo quadro negro, às possibilidades contemporâneas associadas a plataformas colaborativas, simuladores, realidade aumentada, realidade virtual, podcasts educativos e ambientes imersivos. O objetivo central consiste em discutir os critérios pedagógicos que devem orientar a curadoria de ferramentas digitais na prática docente, de modo a evitar o tecnicismo vazio, entendido como a adoção de recursos tecnológicos dissociada de intencionalidade formativa, mediação didática e análise contextual. A argumentação articula referenciais clássicos e contemporâneos das áreas de tecnologia educacional, didática, currículo e formação docente, com destaque para o modelo TPACK e para o uso crítico do SAMR como instrumentos de apoio à decisão pedagógica. Ao longo do capítulo, são descritas categorias centrais de recursos digitais, analisadas suas potencialidades e limitações à luz das condições reais da educação brasileira e defendida a ideia de que a curadoria tecnológica constitui um ato pedagógico situado. Sustenta-se, por fim, que a escolha de ferramentas precisa ser precedida por uma racionalidade pedagógica capaz de relacionar objetivos de aprendizagem, perfis discentes, infraestrutura institucional, acessibilidade e implicações éticas, posicionando o professor como curador intelectual e não como mero operador de plataformas.</jats:p>