Abstract
<jats:p>A febre reumática aguda (FRA) e sua sequela crônica, a cardiopatia reumática (CR), constituem importantes causas de morbidade cardiovascular e mortalidade precoce entre crianças, adolescentes e jovens adultos. O presente estudo teve como objetivo revisar as evidências científicas recentes relacionadas às diretrizes atuais e aos desafios no diagnóstico da febre reumática na atenção primária. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa realizada na base de dados PubMed, utilizando os descritores “Rheumatic Fever” e “Diagnosis”, com inclusão de artigos publicados nos últimos cinco anos, disponíveis em português ou inglês. Os resultados demonstraram que o diagnóstico da FRA na atenção primária permanece desafiador devido à variabilidade clínica da doença, à ocorrência de manifestações tardias após infecção estreptocócica e à complexidade da aplicação dos Critérios de Jones. Observou-se que a ecocardiografia Doppler ampliou a capacidade diagnóstica por permitir a identificação de cardite subclínica, especialmente em populações de maior risco. No âmbito terapêutico, as diretrizes recentes destacam o uso de naproxeno e ibuprofeno como anti-inflamatórios não esteroides de primeira linha para o manejo da artrite reumática, além da importância da profilaxia secundária com penicilina benzatina para reduzir recorrências e limitar a progressão de lesões valvares. Também foram abordadas estratégias relacionadas ao manejo de complicações, como cardite, coreia de Sydenham e fibrilação atrial associada à cardiopatia reumática, bem como perspectivas futuras, incluindo vacinas contra o estreptococo do grupo A e tecnologias de apoio ao rastreamento. Conclui-se que o diagnóstico precoce, a capacitação dos profissionais, o uso de algoritmos simplificados, a vigilância epidemiológica e o fortalecimento da atenção primária são fundamentais para o controle da FRA e da CR em populações vulneráveis.</jats:p>