Abstract
<jats:p>“Tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida da sua desigualdade.” A célebre reflexão atribuída a Aristóteles permanece atual ao nos lembrar que a justiça não se concretiza pela simples oferta uniforme de oportunidades, mas pelo reconhecimento das diferentes condições que moldam a vida das pessoas. No campo da saúde, esse princípio ganha especial relevância, uma vez que o processo saúde-doença é influenciado por fatores que extrapolam os aspectos biológicos e alcançam dimensões sociais, econômicas, culturais, territoriais e ambientais. É nesse contexto que se insere a obra Equidade em Saúde e Determinantes Sociais, organizada a partir dos trabalhos aprovados na 5ª edição do Congresso On-line Nacional de Ciências & Saúde (CONCS). Os capítulos reunidos nesta publicação evidenciam que promover saúde exige compreender as múltiplas realidades que atravessam indivíduos, famílias e comunidades, bem como desenvolver estratégias capazes de responder às necessidades específicas de diferentes grupos populacionais. Ao longo da obra, o leitor encontrará experiências, pesquisas e revisões que dialogam com importantes desafios contemporâneos da saúde coletiva. As discussões sobre doença renal crônica, pé diabético, sífilis congênita, tuberculose, encefalite viral, doença de Crohn, colite ulcerativa, neoplasias e infecções emergentes demonstram como as condições de saúde estão profundamente relacionadas ao acesso aos serviços, à informação qualificada, à prevenção e à organização dos sistemas de cuidado. Paralelamente, os capítulos que abordam educação em saúde, acessibilidade para a comunidade surda, atividades extensionistas, teatro de fantoches, tecnologias educativas e ações junto a populações em situação de vulnerabilidade reforçam o papel transformador do conhecimento na redução das iniquidades. A diversidade temática presente nesta coletânea também evidencia a amplitude dos determinantes sociais da saúde. Questões relacionadas à renda, escolaridade, território, condições de trabalho, gênero, acesso à informação e suporte social aparecem, direta ou indiretamente, como elementos capazes de influenciar o risco de adoecimento, a utilização dos serviços de saúde e os resultados alcançados pelas intervenções. Nesse sentido, os estudos aqui apresentados não apenas descrevem problemas, mas oferecem caminhos para a construção de respostas mais inclusivas, humanizadas e socialmente comprometidas. Outro aspecto que merece destaque é a pluralidade de abordagens metodológicas e de cenários investigados. Relatos de experiência, estudos epidemiológicos, revisões da literatura e pesquisas aplicadas demonstram a riqueza da produção científica contemporânea e sua capacidade de contribuir para a qualificação das práticas em saúde. Ao integrar diferentes perspectivas, a obra fortalece o diálogo entre ensino, pesquisa, extensão e assistência, aproximando a ciência das necessidades concretas da população. Mais do que uma reunião de capítulos, esta publicação representa um convite à reflexão sobre a responsabilidade coletiva na construção de sociedades mais justas. A equidade em saúde não é um objetivo restrito aos serviços de saúde, mas um compromisso que envolve governos, instituições, profissionais, pesquisadores e cidadãos. Reconhecer as desigualdades existentes é o primeiro passo para enfrentá-las, produzir conhecimento capaz de orientar intervenções efetivas é o caminho para transformá-las. Esperamos que os textos aqui reunidos contribuam para ampliar o debate sobre os determinantes sociais da saúde, inspirem novas investigações e fortaleçam práticas comprometidas com a redução das iniquidades. Que esta obra sirva, sobretudo, como instrumento de reflexão e ação em favor de uma saúde verdadeiramente equitativa, na qual as diferenças sejam reconhecidas não como obstáculos, mas como elementos fundamentais para a construção de políticas e estratégias mais justas e eficazes. Boa leitura!</jats:p>