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Abstract

<jats:p>Há mulheres que atravessam a vida inteira tentando compreender por que existir parece exigir delas um esforço que ninguém ao redor parece perceber. Mulheres que aprenderam cedo a observar antes de falar, imitar antes de pertencer e esconder antes mesmo de entender aquilo que precisavam esconder. Chamadas de sensíveis demais, intensas demais, difíceis demais ou emocionalmente “exageradas”, muitas passaram décadas acumulando ansiedade, exaustão, colapsos silenciosos e diagnósticos fragmentados sem jamais receber uma resposta capaz de integrar a própria história. Nesta investigação jornalística profunda e humanizada, Ana Cordèiro mergulha no universo do diagnóstico tardio do autismo feminino, revelando como vieses históricos, critérios clínicos masculinizados e desigualdades estruturais contribuíram para invisibilizar milhares de mulheres ao redor do mundo. Entre relatos reais, pesquisas científicas, entrevistas e análise documental, a obra expõe o custo psíquico da adaptação forçada, o impacto do masking contínuo e o sofrimento produzido por uma sociedade que frequentemente transforma diferença em inadequação. Mais do que um livro sobre autismo, esta é uma obra sobre reconhecimento humano. Sobre mulheres que sobreviveram tentando parecer normais. E sobre o direito de finalmente existir sem precisar desaparecer para pertencer.</jats:p>

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mulheres sobre antes demais tentando

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