Abstract
<jats:p>O artigo investiga como a desinformação circula em grupos de extrema direita no WhatsApp e Telegram, enfatizando a atuação conjunta entre moderadores humanos e recursos das interfaces, para fins de engajamento e administração da base de apoiadores. O estudo combina métodos qualitativos e quantitativos: descrição passo a passo das interfaces das plataformas, levantamento da frequência de postagens, acompanhamento e análise de tópicos de conteúdos. Os resultados demonstram que os moderadores humanos desempenharam papel central na gestão de crises narrativas, ao mesmo tempo em que as ferramentas das plataformas facilitaram a manutenção da coesão interna e a difusão de enredos alinhados ao bolsonarismo. Conclui-se que as interfaces não apenas permitem a circulação de conteúdos falsos, mas atuam como elementos ativos na produção e reforço às campanhas de medo e hostilidade, fundamentais aos processos de organização e ativação da militância extremista no Brasil. De forma geral, o estudo contribui para compreender a plataformização da militância política e o papel da mediação técnica e humana na radicalização política digital.</jats:p>