Abstract
<jats:p>Este artigo problematiza como as políticas contemporâneas de avaliação educacional participam da constituição material da escola pública brasileira. Em conversação com o Realismo Agencial de Karen Barad e com discussões pós-humanistas e novo-materialistas, o texto busca compreender de que modo índices, plataformas digitais, simulados padronizados e metas projetadas do IDEB deixam de operar apenas como instrumentos técnicos de monitoramento e passam a reorganizar currículos, temporalidades pedagógicas, planejamentos escolares e formas de inteligibilidade da aprendizagem. Metodologicamente, a pesquisa movimenta-se por meio de leituras difrativas inspiradas em Karen Barad, colocando em intra-ação documentos oficiais, políticas de bonificação, plataformas de acompanhamento e discussões sobre performatividade, materialidade e temporalidade. Em vez de interpretar as métricas educacionais como representações neutras de uma realidade previamente dada, o estudo acompanha como esses aparatos participam materialmente da produção da escola contemporânea. Argumenta-se que o índice não opera apenas retrospectivamente sobre aprendizagens já produzidas, mas infiltra futuridades estatísticas no presente da escola antes mesmo da experiência pedagógica acontecer. Conclui-se que as políticas contemporâneas de avaliação produzem regimes contínuos de antecipação, insuficiência e auditabilidade, reorganizando as próprias condições de existência da aprendizagem escolar.</jats:p>