Abstract
<jats:p>O artigo investiga as relações entre autoconceito acadêmico, expectativas de futuro e experiências escolares de estudantes do Ensino Médio em uma escola da Zona Leste de São Paulo. A partir do exame de literatura ancorada na teoria bourdieusiana e pós-bourdieusiana e em entrevistas semiestruturadas com estudantes e professores, analisa como jovens oriundos de camadas populares avaliam suas capacidades, aprendizagem e possibilidades de continuidade dos estudos em contextos marcados pela escassez de recursos, pelas relações escolares e pelas desigualdades no acesso ao capital cultural. Os resultados mostram que, apesar das barreiras percebidas, muitos estudantes manifestaram o desejo de ingressar no Ensino Superior, projetando trajetórias voltadas prioritariamente para instituições privadas ou cursos técnicos, o que revela percursos escolares e projeções de futuro plurais e distanciados de suas respectivas origens sociais A pesquisa aponta ainda para a necessidade de aprofundamento de estudos sobre o autoconceito que considerem as desigualdades sociais, as expectativas educacionais e os processos de aprendizagem que influenciam, ou mesmo condicionam, o futuro e o investimento escolar.</jats:p>