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Abstract

<jats:p>Este ensaio propõe uma inflexão transfeminista para a bioética contemporânea, articulando itinerários terapêuticos e desconstrução da colonialidade como eixos de uma epistemologia insurgente. Argumenta que a bioética hegemônica, ao operar sob regimes cisheteronormativos e coloniais de valoração da vida, produz corpos dissidentes como excesso, contaminação ou descarte. Em diálogo com as perspectivas de Mel Y. Chen, Abigail Campos Leal, Nat Raha, Mijke van der Drift e com a literatura antropológica sobre itinerários terapêuticos, elabora o cuidado como prática situada de composição da vida forjada na precariedade, no improviso e em percursos que escapam à lógica biomédica hegemônica. Sustenta que uma bioética transfeminista opera por desconstrução da colonialidade: recusa as categorias centrais do saber moderno para produzir conhecimento desde as fraturas coloniais e desde práticas situadas de sobrevivência. A bioética transfeminista, assim, convoca-nos a repensar a vida, o cuidado e a saúde desde os percursos fragmentários e inventivos que corpos dissidentes constroem para persistir.</jats:p>

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Keywords

bioética transfeminista para como vida

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