Abstract
<jats:p> A ciência contemporânea é estruturada em redes colaborativas cujas dinâmicas são intrinsecamente moldadas pela posição dos atores no sistema global de produção de conhecimento. A literatura aponta que, historicamente, a internacionalização da pesquisa tem-se manifestado de forma assimétrica, reproduzindo um padrão clássico de centro-periferia. Este trabalho objetiva discutir, por meio de uma revisão sistemática de literatura, como as recentes reconfigurações do sistema acadêmico global têm alterado os fluxos de mobilidade acadêmica em termos de origens e destinos. Nas últimas décadas, transformações paradigmáticas foram observadas: a ampliação da participação de nações periféricas em redes de colaboração; a ascensão da China como potência científica impulsionada por investimentos massivos em pesquisa e desenvolvimento (P&D); e o crescimento exponencial do volume da mobilidade internacional. Tais fatores converteram uma dinâmica anteriormente bipolar (Sul-Norte) em uma configuração multipolar. Embora os fluxos da periferia para o centro persistam, emergem novos movimentos inversos e uma ressignificação das experiências de mobilidade, transcendendo a narrativa binária entre o “móvel positivo” e o “imóvel negativo”. Conclui-se que o reposicionamento dos polos científicos é um fenômeno multidimensional, no qual fatores sistêmicos, institucionais e individuais interagem para moldar as trajetórias acadêmicas contemporâneas. </jats:p>