Abstract
<jats:p>Este artigo analisa a governança criminal e as dinâmicas de erosão democrática sob uma nova perspectiva teórica: a hipótese da "captura de fecho" (closure capture). Argumenta-se que o crime organizado transita de uma atuação paralela ao Estado para uma estratégia de infiltração nas próprias instâncias terminais de controle jurídico, político e administrativo. Ao neutralizar as esferas de última palavra, a criminalidade não apenas garante impunidade, mas passa a instrumentalizar a força estatal para eliminar concorrentes mercantis e perseguir opositores. Metodologicamente, o trabalho adota o método de process tracing em caráter de teste de plausibilidade (plausibility probe), examinando evidências indiciárias de operações policiais recentes e inquéritos judiciais no Brasil. O estudo demonstra como essa modalidade de captura gera equivalência observacional com o funcionamento institucional regular, operando em um "ponto cego" de mensuração que desafia os indicadores tradicionais de state capture e integridade democrática. </jats:p>