Abstract
<jats:p>A expansão da Artificial Intelligence in Education (AIED) tem reconfigurado práticas pedagógicas, agendas de pesquisa e regimes normativos no cenário científico internacional. Este estudo examina a produção científica internacional sobre o uso da inteligência artificial na educação, buscando compreender como benefícios, desafios, tensões e implicações éticas são discursivamente estruturados no campo. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem quali-quantitativa, articulando Análise Textual Discursiva e tratamento estatístico via IRAMUTEQ, aplicada a 39 abstracts indexados em bases internacionais. As análises lexicométricas, Diagrama de Zipf, Nuvem de Palavras, a Classificação Hierárquica Descendente e a Análise Fatorial de Correspondência identificaram cinco classes organizadas em três macroeixos interdependentes: personalização da aprendizagem; inovação pedagógica mediada por tecnologia e centralidade docente; e ética, governança e responsabilidade sociotécnica. Os resultados indicam que o campo atravessa uma transição paradigmática, deslocando-se de uma ênfase predominantemente instrumental para uma configuração multidimensional na qual eficiência algorítmica, equidade e regulação operam como regimes coestruturantes. Nesse contexto, evidenciam-se três regimes articulados: (i) Regime Tecnopedagógico, orientado à personalização e à aplicação prática; (ii) Regime Sociotécnico, centrado em inclusão, equidade e impacto social; e (iii) Regime Normativo-Regulatório, estruturado por diretrizes éticas e governança. Conclui-se que o desafio contemporâneo não reside apenas na expansão do uso da IA na educação, mas em sua integração crítica, ética e pedagogicamente fundamentada, de modo socialmente responsável.</jats:p>