Abstract
<jats:p>Este artigo tem como objetivo analisar os desafios e as possibilidades do ensino de Computação na Educação do Campo, com foco na construção de um currículo dialógico e emancipador. Trata-se de um estudo teórico de abordagem qualitativa, fundamentado em análise bibliográfica e documental, ancorado em referenciais da pedagogia crítica, especialmente em Paulo Freire, Saviani, Caldart, Arroyo e Brandão, bem como em documentos normativos como a BNCC-Computação e a Política Nacional de Educação Digital. Parte-se da compreensão de que o currículo constitui-se como campo de disputa política e cultural, no qual se definem projetos de sociedade e identidades sociais. Os resultados evidenciam que a implementação da Computação na Educação Básica tem sido marcada por uma abordagem predominantemente urbanocêntrica, pouco atenta às especificidades históricas e culturais do campo. Defende-se que a construção de um currículo de Computação, orientado pelo diálogo, pode articular saberes populares e científicos, valorizar a diversidade cultural, fortalecer a cidadania digital e ampliar as condições de emancipação dos sujeitos do campo. Conclui-se que a Computação deve ser compreendida como prática cultural e política, contribuindo para a democratização do conhecimento, a inclusão digital e o desenvolvimento humano integral das populações camponesas.</jats:p>