Abstract
<jats:p>A América Latina abunda em utopias; e há quem pense que, desde que as Crônicas das Índias prodigalizaram entre suas múltiplas versões a visão destes territórios como uma alternativa terrena do paraíso, o gênero se tornou uma espécie de destino da escrita local. Sem aderir a tais simplificações, sem remontar os séculos até a chegada dos primeiros viajantes e colonos europeus ao continente transatlântico, prefiro concentrar-me no modo como a utopia perfilou a filosofia e o pensamento político latino-americano nas primeiras décadas do século XX para estender-se à literatura, sobretudo em direção ao fechamento do século. Porque é nessas produções que se enraíza, sufocada por um contexto de desastres naturais, crises econômicas e debandada social, a distopia investigada em Histórias do fim do mundo.</jats:p>