Abstract
<jats:p>Este livro analisa São José dos Campos como um dos territórios centrais para compreender a história brasileira da ciência, da tecnologia e da inovação. A obra investiga a passagem de uma política científico-tecnológica orientada por missões nacionais — vinculada ao CTA, ao ITA, ao DCTA, ao INPE, à Embraer, à indústria aeronáutica e à política espacial — para uma linguagem contemporânea da inovação baseada em ecossistemas, parques tecnológicos, startups, hubs, clusters, cidade inteligente, empreendedorismo e branding urbano. A tese central do livro é que o Parque Tecnológico de São José dos Campos não inaugura a inovação na cidade, mas reorganiza, traduz e atualiza uma formação territorial anterior. Antes do parque, houve uma longa sedimentação institucional, científica, industrial e urbana: a cidade sanatorial, a Rodovia Presidente Dutra, a industrialização, a formação de engenheiros, a criação de institutos públicos de pesquisa, a emergência da Embraer, a política aeroespacial e a construção de uma cultura técnica associada à modernização nacional. O livro mostra, portanto, que a inovação joseense não nasceu da espontaneidade do mercado, mas de investimentos públicos de longo prazo, missões estratégicas, formação de capacidades e construção institucional. Ao longo dos capítulos, a obra discute a cidade antes da inovação, a política científica por missões, a Embraer e o Bandeirante, o INPE e a soberania tecnocientífica, a crise da missão nacional, a privatização, a emergência do Parque Tecnológico, os clusters, o Distrito de Inovação, o Arco da Inovação, a cidade inteligente, o trabalho qualificado e os limites da replicação de modelos. Ao final, o livro defende que São José dos Campos é ao mesmo tempo inspiração e advertência para o Sul Global: inspiração porque demonstra que países periféricos podem construir capacidades tecnológicas avançadas quando articulam Estado, ciência, indústria e território; advertência porque mostra que essas capacidades podem ser reorientadas, fragmentadas ou capturadas quando a inovação se transforma apenas em linguagem genérica de competitividade urbana, empreendedorismo e marca territorial.</jats:p>