Abstract
<jats:p>A expansão da energia eólica no Brasil tem sido uma estratégia central na proposta de transição energética, com forte concentração de empreendimentos no semiárido nordestino — especialmente na Bahia, no Rio Grande do Norte e no Piauí — impulsionada por políticas públicas e estudos sobre o potencial dos ventos, sobretudo a partir dos anos 2000. Apesar dos benefícios proporcionados pelos parques eólicos, como geração de renda e melhorias na infraestrutura, moradoras relataram impactos negativos, como ruídos constantes, aumento do tráfego, descarte inadequado de resíduos e sensação de insegurança em relação às estruturas das torres. A realidade do município de Betânia do Piauí evidencia contradições na agenda de sustentabilidade: ao mesmo tempo em que contribui com energia limpa para o país, enfrenta graves e históricas carências em saneamento, abastecimento de água e infraestrutura básica, revelando profundas desigualdades no acesso a condições dignas de vida. O caso da comunidade Vila do Mel, no Piauí, demonstra como projetos sociais vinculados a empreendimentos eólicos podem promover inclusão produtiva, fortalecendo a atuação de mulheres rurais e ampliando o acesso a mercados institucionais e locais por meio da produção de derivados da mandioca.</jats:p>